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sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Documentário

Dasiwa'uburéze - nossa cultura
em breve no Sesc TV!!!!


documentário com o conselho dos anciões da Aldeia
Xavante Pimentel Barbosa

Herdeiros de uma tradição milenar, guardiões da memória dos antigos.



Direção

Cristina Flória e Wagner Pinto


Coordenação na Aldeia

Tsuptó Xavante


Imagens

Lincon Xavante

Romeu Xavante

Alex Santos

Denilson Belezi

Tamara Ka


Edição

Estevão Tutú Nunes


Animações

Binho Dias

Desenhos

Dionísio Xavante


Produção

A 2.0 Produções Artísticas


Realização

SESC TV

domingo, 25 de março de 2012

Mulheres Xavante de Etenhiritipa


Os A'uwê - Povo guerreiro. Mantém sua história na memória e com a palavra transmitem de geração a geração seus conhecimentos ancestrais. Vieram do lugar onde começa o céu, da raiz do céu, onde o sol nasce.

Somam aproximadamente 13 mil pessoas distribuídas em cerca de 180 aldeias no estado do Mato Grosso, num ambiente de cerrado, no Centro-Oeste do Brasil nas Terras Indígenas Pimentel Barbosa, Areões, Marechal Rondom, Parabubure, Sangradouro, São Marcos e Marãiwasede.

Conecidos por Xavante, os A'uwê Upatabi - Povo Verdadeiro, como se autodenominam, falam a língua A'uwê da família linguística Jê, pertencente ao tronco linguístico Macro-Jê.

Na denominação genérica índios está oculta, na verdade, a rica diversidade cultural que existe no Brasil. São cerca de 220 povos indígenas, aproximadamente 170 línguas faladas, uma população de cerca de 450 mil pessoas. Nosso país pode se dizer o único no mundo, com aproximadamente 50 povos que nunca tiveram contato com a sociedade envolvente.

Cristina Flória


domingo, 17 de abril de 2011

História do Tempo da Escuridão

As histórias, os mitos, do povo A'uwê, como se autodenominam os Xavante, são as narrativas ancestrais de um tempo de todas as criações.

A arte da oratória tradicional que os povos indígenas cultivam, principalmentes as pessoas mais velhas das comunidades, são geradas a partir de um conhecimento que é comum, patrimônio de um povo.

Compartilho os mitos do tempo da escuridão, da criação da lua e do sol, que fazem parte da Tradição do povo A'uwê, e que estão compilados no Livro Wamrême Za'ra - Nossa Palavra: mito e história do povo Xavante, que participei da coordenação e produção, pesquisa e fotografias.

Rómraréhã Rówasu'u

Eu vou contar.
Antigamente o povo A'uwê vivia na escuridão.
Antes da lua. Antes do sol.

Os wapté (adolescentes em reclusão) estavam assando ovos de ma (Ema). Comendo. Wapté tem respeito, dizem a verdade entre si.
- Como vocês quebraram ovos de ma?
- Nós quebramos batendo com os ovos no peito.
- Eu não acredito.
- É verdade! É verdade.
Eles não falaram a verdade.
Ovos de ma assados são muito quentes. É muito quente! Por isso eles inventaram...
Mesmo não acreditanto, o wapté bate com o ovo no peito. Então quebra.
Ele grita de dor.
- Asu ruru... Asu ruru...
Corre para o rio. De mão fechada. Grita de dor. Está gemendo.
Ele se joga na água para esfriar o peito. E fica rolando, rolando na água escura. Até no fundo da água.
Ele melhora, fica em pé.
Ele se transforma em lua.
A lua é branca. Brilha. Brilha como ovo de ema.
É assim que surgiu a lua.

Os wapté brincavam no lago.
Brincando de pular na água no pu (lago). Como os meninos brincam.
Decidiram subir nas árvores.
Começaram a brincar e subir em árvores.
- Em que árvore vocês estão subindo?
- Estamos subindo naquela árvore. Estamos subindo no uiwede (palmeira de buriti).
Ele vai subindo, subindo, subindo, muito alto.
É duro! Muito difícil!
A barriga cresce, aumenta. Ele faz muita força.
Estava planejado...
O ânus dele foi crescendo. Formando-se redondo, grande, quente.
Vai crescendo o ânus do wapté. Sai do corpo dele, de uma vez.
Fica fixo, brilhante no céu.
Vermelho, grande. Como quando está amanhecendo o dia. Vermelho e grande no céu.
Tão bonito!
Ele se tornou o sol. O verdadeiro sol.
É assim.
Ãné!


Copyright Cristina Flória - Todos os direitos reservados
Editora Senac SP - Wamrême Za'ra


domingo, 24 de outubro de 2010

REPORTAGEM - No Mundo da MULHER XAVANTE

por: Ieda Estergilda de Abreu
fotos: Cristina Flória


"Na aldeia xavante Etenhiritipa, localizada na terra indígena Pimentel Barbosa, em Canarana, Mato Grosso, as fogueiras estão acesas e as casas, aquecidas. Lá dentro, as mulheres aguardam os homens saírem do warã (assembleia), onde estiveram desde o entardecer refletindo sobre os acontecimentos do dia. Ao amanhecer, eles se reunirão novamente para discutir, com base na interpretação dos sonhos, como será o novo dia. E retomarão os assuntos tratados na noite anterior"...



 
Leia a reportagem completa na Revista Planeta online.
- outubro, Edição 457 Ano 38.



sábado, 15 de maio de 2010

Uma Lente sobre a cultura Xavante

Na edição de Abril a Revista Kalunga destacou o meu trabalho entre os Xavante. A entrevista foi concedida à Margarete Azevedo, que fez um ótimo trabalho de edição. Segue abaixo um trecho da entreveista: 


Como você observa a relação do índio com a tecnologia?
A cultura é dinâmica e incorpora coisas que são muito importantes, por exemplo, a internet e o celular. Muitas pessoas falam, "os índios agora estão usando roupas, celulares; não são mais índios". Na minha opinião, essa é uma visão equivocada. A incorporação dessas tecnologias ajuda não só na manutenção de sua cultura, como também na sua sobrevivência. A internet auxilia na comunicação entre as aldeias. Não podemos esquecer que existem 220 etnias indígenas no Brasil. Os índios não são iguais. São povos diferentes com cultura e línguas faladas diferentes. No total são 180 línguas; eles não têm uma língua comum.

Qual o desafio dos líderes para manter as tradições?
O desafio para essa nova geração é muito grande, em especial, no que se refere às Terras indígenas. Em Pimentel Barbosa, área com 329mil hectares, a devastação avança. As aldeias xavante vivem da caça; com o entorno sendo desmatado, o único lugar que sobra para a prática é a própria reserva. Fala-se que há muita terra para pouco índio, mas isso não é verdade. Os índios tem uma relação com a terra, com o meio ambiente, muito diferente da nossa. 

Leia mais

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Apresentação do Projeto Arquitetônico para construção da Escola Xavante da Aldeia Etenhiritipa.




A pedido da comunidade Xavante da Aldeia Etenhiritipa, localizada na Terra Indígena Pimentel Barbosa, no estado do Mato Grosso, o Grupo de Estudos sobre a etnia A'uwê, como se autodenominam os Xavante, contempla, através de pesquisas e oficinas, um paralelo entre cultura, antropologia, arquitetura, cartografia, materiais e técnicas construtivas, tendo como produto final o projeto arquitetônico da Escola Estadual Indígena Samuel Suhutuwê a ser disponibilizada, juntamente com a pesquisa, para a comunidade.

O Projeto Xavante vem sendo desenvolvido pelo Núcleo de Pesquisa da Escola da Cidade - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, desde agosto de 2009.




 

Imagens da viagem para Aldeia Xavante Etenhiritipa,
abril 2010.

quarta-feira, 31 de março de 2010

O Bioma cerrado e o "desenvolvimento"



O cerrado era um território sem fronteiras para os A’uwê, como se autodenominam os Xavante, até a década de 1940, antes da entrada expansionista pelo Brasil central e antes dos primeiros contatos em 1946. No bioma cerrado está tudo o que eles necessitam para viver. Além de ser fonte da produção e reprodução da sua sobrevivência física, o cerrado é fundamental para a perpetuação de sua cultura, de seus ritos e cerimônias tradicionais.
Um exemplo disso é o pé de buriti. O seu fruto serve como alimento e seus talos, do pequeno ao grande, são usados pelas mulheres para a confecção de cestos, com vários tamanhos e utilidades, de esteiras e na cobertura das casas. As palhas do talo são usadas pelos homens nos rituais.

O cerrado, segundo dados fornecidos pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – Ibama, é a savana mais rica do mundo em biodiversidade. Estima-se que a região compreenda cerca de 5% de toda a biodiversidade do planeta, com a presença de ecossistemas variados, riquíssima flora com mais de 10 mil espécies de plantas, sendo que 4.400 são endêmicas (exclusivas) dessa área. A fauna apresenta 837 espécies de aves; 67 gêneros de mamíferos, abrangendo 161 espécies, dezenove delas endêmicas; 150 espécies de anfíbios, das quais 45 endêmicas; 120 espécies de répteis, sendo 45 endêmicas; apenas no Distrito Federal, há 90 espécies de cupins, mil espécies de borboletas e 500 espécies de abelhas e vespas.

Desde o contato com os não índios – warazu – muitas mudanças vêm ocorrendo na vida A’uwẽ e o mesmo vem acontecendo com o bioma cerrado. Prova disso são as estatísticas fornecidas pelo próprio Ibama, que atesta restar hoje apenas 20% de área de cerrado em estado conservado.

Em decorrência disso, podemos afirmar que as Terras Indígenas vêm se tornando verdadeiras ilhas verdes cercadas de devastação pelo “desenvolvimento”.


Texto e fotografia: Cristina Flória - Todos os direitos reservados

domingo, 11 de janeiro de 2009

Piõ Höimanazé - a Mulher Xavante em sua Arte


Documentário:
Estréia no SESC TV
dia 22/01, às 22h
52 minutos
Direção e Roteiro: Cristina Flória

Piõ Höimanazé - a Mulher Xavante em sua Arte é um olhar entre os múltiplos ângulos de uma Tradição. Fruto de um sonho, de uma amizade que foi se estreitando entre eu e a comunidade Xavante ao longo desses últimos 16 anos. Foram muitas conversar com os homens, no Warã, até a realização do projeto com as mulheres de Etenhiritipa. E da mesma forma que elas, eu também queria muito que esse trabalho acontecesse.

Para a realização do projeto instituímos o Warã Piõ, nosso espaço de reuniões, onde todas as decisões e planos de trabalho foram estabelecidos entre a nossa equipe e as mulheres A’uwẽ. Em nosso primeiro Warã Piõ foram eleitas onze mulheres para coordenar e protagonizar todas as etapas do trabalho dentro da comunidade, que durante o percurso se tornaram doze, assim como a equipe A’uwê de cinegrafistas, tradutores, fotógrafo e assistentes.

Piõ Höimanazé - a Mulher Xavante em sua Arte além de ser uma ação para preservar o patrimônio cultural feminino das mulheres A’uwẽ de Etenhiritipa, revela a riqueza de conhecimento que essas guerreiras preservam há milhares de anos. Seus segredos, e a arte de viver, Höimanazé, que são transmitidos de geração a geração até os dias atuais. Contribui também, para elucidar o que o universo feminino indígena suscita dentro de nós, para uma compreensão de ser humano, de ser mulher.

Poucos são os que valorizam a cultura e o conhecimento dos índios brasileiros, principalmente no que diz respeito ao conhecimento das mulheres indígenas. O que atesta o baixíssimo número de documentos e registros existentes.

Por existir iniciativas que estão na contramão desse fluxo, Piõ Höimanazé - a Mulher Xavante em sua Arte pode ser realizado.

Contou com o patrocínio da Petrobras através do Edital do Programa Petrobrás Cultural 2005/2006, que contemplou 232 projetos selecionados, dos 4.674 projetos inscritos, com apoio do Ministério da Cultura através da Lei de Incentivo à Cultura - Lei Rouanet.

Apoio das Prefeituras do Município de Canarana, no Estado do Mato Grosso, e de Santa Cruz das Palmeiras, interior do Estado de São Paulo, que possibilita a difusão desse conhecimento para escolas municipais indígenas e não indígenas, bibliotecas, dessas regiões, e também para um público amplo.

Uma co-produção da A 2.0 Produções Artísticas com o Sesc TV, que além fomentar a diversidade cultural, e a sobrevivência de culturas tradicionais milenares, possibilita a visão de um mundo plural, onde valores éticos, de prosperidade e de direitos humanos podem ser consolidados.


Ficha Técnica:
Direção e Roteiro: Cristina Flória; Música Original e Desenho de Som: Marcelo Pellegrini; Edição: Estevão Nunes Tutu, Tati Wexler; Imagens: Jorge Protodi, Caimi Waiassé, Estevão Nunes Tutu, Neivas Ortega; Produção Executiva: Wagner Pinto; Design Gráfico: Eduardo Okuno; Coordenação na Aldeia e Tradução Xavante / português: Paulo Supretaprã; Assistentes de câmera e som: Gilson Homopre, Nilo Sereraruiwe; Fotografias: Cristina Floria, Tati Wexler, Vinícius Sidiwe, Wagner Pinto, Vladimir Kozák – Governo do Estado do Paraná /Secretaria de Estado da Cultura e Museu Paranaense; Mixagem e Masterização: Estudios Audiomobile, Supervisão Técnica: Eng. Egidio Conde, Técnico de Mixagem: André "Kbelo" Sangiacomo, Técnico de Masterização: Fernando Ferrari.
Sesc SP: Diretor Regional: Danilo Santos de Miranda; Sup.Téc.Social:Joel N. Padula; Com.Social: Ivan Giannini /Sesc TV - Diretor Executivo: Valter Vicente Sales Filho; Direção de Programação: Regina Gambini; Assistente: Juliano de Souza.

Parceria:Aldeia Etenhiritipa - ao longo de todas as etapas do trabalho.
Apoio:Tela Mágica; Audimobile; Prefeitura Municipal de Canarâna; Prefitura Municipal de Santa Cruz das Palmeiras; Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultural - Lei Rouanet
Realização:A 2.0 Produções Artísticas
Co-produção: A 2.0 Produções Artísticas e Sesc TV
Patrocínio: PETROBRAS